Gráficos exibidos em programa de televisão apresentam somatório de cadeiras superior ao número de vagas existentes na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
No xadrez político, projetar o desempenho das chapas é uma prática comum em anos eleitorais. Analistas estimam quocientes eleitorais, avaliam nominatas e tentam antecipar a composição das futuras bancadas.
Entretanto, uma projeção apresentada no programa Maranhão em Pauta – Vai Encarar!, exibido pela STV, chamou atenção por um detalhe incomum: a soma das cadeiras atribuídas aos partidos ultrapassa o número de vagas efetivamente existentes tanto na Assembleia Legislativa do Maranhão quanto na bancada federal do estado.
Na prática, os gráficos criaram verdadeiras “vagas fantasmas”.
Assembleia Legislativa: 42 cadeiras viraram até 49 A Assembleia Legislativa do Maranhão possui 42 deputados estaduais, número fixado pela Constituição Federal. Entretanto, o gráfico exibido durante o programa projeta uma distribuição que alcança 48 a 49 cadeiras, ou seja, entre seis e sete vagas além do limite constitucional.
O principal fator para esse resultado é a projeção atribuída ao MDB, que aparece com 18 deputados estaduais, praticamente metade de toda a composição da ALEMA.
Distribuição apresentada no gráfico
MDB — 18 vagas
PL — 7 vagas
Republicanos — 6 vagas
PSD — 5 a 6 vagas
Federação PT (PT/PCdoB/PV) — 3 vagas PRD
3 vagas PSB
3 vagas PDT
PDT — 2 vagas
Federação União (União Brasil/PP) — 1 vaga
Total projetado: 48 a 49 deputados
Número real de cadeiras: 42
Câmara Federal: projeção também ultrapassa o limite constitucional
Situação semelhante aparece na projeção para a Câmara dos Deputados.
O Maranhão possui atualmente 18 deputados federais, conforme a distribuição constitucional vigente.
No entanto, o gráfico apresentado durante o programa soma 21 a 22 deputados, novamente acima do número permitido.
Distribuição apresentada
MDB — 5 vagas
PL — 4 vagas
Federação União (União Brasil/PP) — 4 vagas
Federação PT (PT/PCdoB/PV) — 2 vagas
Republicanos — 2 vagas
PRD — 2 vagas
PSD — 1 a 2 vagas
PDT — 1 vaga
Podemos — 1 vaga
PSB — 1 vaga
Total projetado: 21 a 22 deputados
Número real de cadeiras: 18
O que pode ter ocorrido?
Uma hipótese plausível é que a projeção tenha considerado, isoladamente, a expectativa de desempenho de cada partido ou federação e, ao final, tenha somado essas estimativas sem realizar o ajuste necessário para respeitar o limite de vagas existentes.
Esse tipo de inconsistência costuma ocorrer quando são reunidas projeções individuais produzidas por diferentes grupos políticos, cada um trabalhando com um cenário otimista para sua própria legenda.
Por que isso merece atenção?
Embora possa decorrer de um simples erro de fechamento gráfico ou de metodologia, projeções desse tipo podem transmitir uma percepção distorcida do cenário eleitoral.
As estratégias partidárias para formação das nominatas, definição de candidaturas e cálculo do quociente eleitoral são elaboradas considerando exatamente o número de vagas disponíveis.
Quando um gráfico apresenta uma distribuição superior ao total de cadeiras existentes, cria-se uma expectativa incompatível com a realidade do sistema proporcional brasileiro. Naturalmente, apenas a apuração oficial das urnas definirá a composição das futuras bancadas.
Até lá, qualquer projeção precisa respeitar um requisito básico: a soma final não pode ultrapassar o número de vagas previstas na Constituição. Neste caso, antes mesmo das disputas eleitorais começarem, a matemática acabou chamando mais atenção do que a própria política.




