Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre celulares roubados gerou repercussão e dividiu opiniões entre aliados e opositores do governo. Durante um discurso, Lula afirmou que busca uma solução para combater o mercado ilegal sem prejudicar pessoas que compraram aparelhos “de boa-fé” ou por necessidade, mesmo sem saber da origem criminosa do produto. O presidente destacou que o governo possui milhões de celulares cadastrados como roubados e estuda mecanismos para recuperação dos aparelhos.
Setores ligados à esquerda e apoiadores do governo defenderam a fala do presidente, afirmando que Lula tentou diferenciar criminosos organizados de consumidores que podem ter adquirido celulares sem conhecimento da ilegalidade. Para esse grupo, a preocupação do governo seria evitar injustiças sociais e impedir que pessoas de baixa renda sofram prejuízos financeiros sem possibilidade de ressarcimento. Defensores da medida também ressaltam que a legislação já prevê punições para receptação e que o foco principal deve ser desarticular quadrilhas e redes de comércio ilegal.
Já representantes da direita e críticos do governo afirmaram que a declaração pode passar a impressão de tolerância com a compra de produtos roubados. Para opositores, o discurso enfraquece o combate à receptação e pode estimular o mercado clandestino de celulares. Especialistas em segurança pública lembram que comprar produtos com preços muito abaixo do mercado pode caracterizar suspeita de origem ilícita, e que a receptação continua sendo crime previsto na legislação brasileira, independentemente da justificativa apresentada pelo comprador.



