A medida atende decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos e financiamento ilegal de campanhas nas eleições municipais de 2024.
Operação Arthros: Brandão afasta quatro servidores do MA por 90 dias após ação da PF
Após operação deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (21), investigação aponta suposto esquema que teria movimentado quase R$ 2 milhões para financiar campanhas eleitorais no Maranhão.
SÃO LUÍS (MA) — O governador Carlos Brandão determinou o afastamento, por 90 dias, de quatro servidores estaduais investigados no âmbito da Operação Arthros, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A medida atende decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos e financiamento ilegal de campanhas nas eleições municipais de 2024.
O decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado na última quinta-feira (21). Apesar do afastamento cautelar, os servidores continuarão recebendo remuneração normalmente durante o período.
Entre os afastados está Gabriel Valeriano Sabino Tenório, presidente da Agência Executiva Metropolitana do Leste Maranhense (Agemleste) e ex-candidato à Prefeitura de Matões nas eleições de 2024. Gabriel é aliado político do ex-secretário de Articulação Política Rubens Pereira, que também foi alvo de buscas da Polícia Federal.
Durante o cumprimento dos mandados, Gabriel Tenório chegou a ser preso em flagrante após agentes encontrarem armas de fogo em sua residência, mas foi liberado no mesmo dia.
Também foram afastados:
• José Pereira de Sá — Assessor Especial I;
• Leonardo Rodrigues do Nascimento — Assessor Especial de Articulação com os Municípios;
• Cristiane Maia Soares — Auxiliar Técnico II.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado atuava como uma espécie de “gabinete paralelo de financiamento eleitoral ilícito”, utilizando recursos públicos desviados para abastecer campanhas políticas no estado.
As investigações apontam que, apenas nos 15 dias anteriores às eleições de 2024, o esquema teria movimentado mais de R$ 1,9 milhão. Desse total, cerca de R$ 1,2 milhão teriam sido efetivamente distribuídos a candidatos e intermediários.
Para conter a atuação do grupo, o TRE-MA autorizou o cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e eletrônico dos investigados e do bloqueio de bens no valor de R$ 2 milhões.
O outro lado
Em nota, Rubens Pereira confirmou a realização de buscas em sua residência e afirmou que, em mais de 40 anos de vida pública, nunca havia sido alvo de operação policial. Disse ainda que nenhum familiar seu foi candidato no pleito investigado e declarou confiar no trabalho das autoridades.
Já Gabriel Tenório afirmou que as armas encontradas em sua casa eram heranças de família e que já estava em processo de regularização da posse. Segundo ele, inclusive, havia avaliação psicológica agendada para o próprio dia da operação. Tenório também afirmou confiar nas instituições e tranquilizou apoiadores em Matões.



