A investigação sobre a trágica escalada de óbitos no Hospital da Criança, em São Luís, entrou em uma fase decisiva com o início dos depoimentos formais de profissionais de saúde. Médicas que atuam na linha de frente da instituição foram intimadas e começaram a prestar esclarecimentos detalhados sobre as rotinas de atendimento, a disponibilidade de insumos básicos e as reais condições de trabalho dentro das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Esses depoimentos técnicos são considerados peças-chave para que os investigadores compreendam se os óbitos decorreram de quadros clínicos inevitáveis ou se houve negligência decorrente de falhas estruturais e de gestão.
O avanço dos interrogatórios ocorre após a Polícia Civil instaurar um inquérito criminal específico, atendendo a uma requisição direta do Ministério Público do Maranhão (MP-MA). O órgão ministerial, que já acompanhava o caso na esfera civil e administrativa, viu a necessidade de acionar a polícia judiciária diante da gravidade das denúncias e do alarmante volume de mortes pediátricas registrado nos últimos meses. A força-tarefa policial agora busca cruzar as declarações das médicas com os prontuários das crianças falecidas e com os contratos da empresa terceirizada responsável pela administração dos leitos de alta complexidade.
Enquanto os depoimentos avançam a portas fechadas, o clima nos bastidores da saúde municipal é de extrema apreensão. A defesa das profissionais e a coordenação do hospital mantêm a postura de que todas as condutas médicas seguiram rigorosamente os protocolos científicos, atribuindo a taxa de mortalidade ao perfil de extrema gravidade dos pacientes transferidos para a unidade. Contudo, para as famílias que cobram justiça e para os órgãos de fiscalização, a conclusão deste inquérito policial será o divisor de águas para determinar se haverá indiciamentos por homicídio culposo ou omissão na gestão da saúde infantil da capital.



