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Investigação de estupro coletivo e feminicídio de indígena na Aldeia Porquinhos expõe gargalos na apuração criminal

A Polícia Civil do Maranhão realizou, na manhã desta terça-feira (8), a exumação do corpo de uma jovem indígena na Aldeia Porquinhos, localizada no território Canela, município de Fernando Falcão (a 522 km de São Luís).

O procedimento é considerado crucial para tentar esclarecer as causas da morte e reunir provas materiais do crime, que ocorreu no dia 4 de julho deste ano.
Dois homens indígenas estão presos temporariamente suspeitos de envolvimento na ação.

Segundo a Polícia Civil, a vítima estaria em situação de vulnerabilidade quando foi levada a uma residência da comunidade e submetida a agressões físicas e sexuais severas com a utilização de garrafas de vidro, madeira e objetos perfurocortantes.


Silêncio inicial e impasses periciais

A dinâmica das investigações enfrenta sérios obstáculos operacionais. A ocorrência só foi comunicada às autoridades policiais 12 dias após o crime, e o corpo foi sepultado de acordo com as tradições locais antes de qualquer perícia médica oficial.


Diante do sepultamento realizado há mais de dois meses, a exumação conduzida pelo Instituto Médico Legal (IML) focará no exame de estruturas ósseas para identificar possíveis microtraumas ou fraturas decorrentes das agressões.

No entanto, peritos apontam que o estágio avançado de decomposição prejudica severamente a coleta de material genético (DNA) para comprovação direta de estupro, exigindo que o inquérito seja fortalecido por provas testemunhais e laudos indiretos.


Enquadramento jurídico

A apuração está sob a responsabilidade da Delegacia de Polícia Civil de Fernando Falcão, vinculada à 15ª Delegacia Regional de Barra do Corda. O caso é apurado sob as qualificadoras de:


Estupro coletivo: Art. 213 c/c art. 226, IV, “a” do Código Penal.


Homicídio qualificado e feminicídio: Art. 121, § 2º, VI e VIII do Código Penal.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam e não descarta o envolvimento de outros suspeitos na ação.

Por se tratar de crime gravíssimo ocorrido em território tradicional, o desfecho das prisões cautelares e do laudo pericial é acompanhado com atenção por órgãos de proteção aos direitos indígenas.


O Portal Cocais segue acompanhando os desdobramentos das laudos periciais e as investigações na região.

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Mauricio Alves

Advogado, especialista em Direito Previdenciário e em Direito Notarial e Registral, formando-se em Jornalismo.

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